PRESIDENTE DO SENADO EUNÍCIO OLIVEIRA (PMDB) DIZ QUE BRASIL SÓ TERÁ ELEIÇÃO LIVRE SE LULA PARTICIPAR

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“Eleições livres são eleições com Lula” – a frase, incisiva, é do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). Durante quase 20 minutos de discurso aos apoiadores no ginásio da AABB, em Fortaleza, o parlamentar cravou: “eu sou eleitor de Lula”.
“Eu, filho de lavrador, filho de agricultor, de família de homem pobre. Eu, com a mesma história de Lula. Só quem viu uma mãe carregar lata d’água na cabeça é que pode fazer o que fazemos”, acrescentou ele, na convenção que oficializou sua candidatura no último final de semana.
O presidente do Senado não mencionou sequer uma vez o candidato do seu partido à Presidência, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), oficializado na última semana. Também não citou o nome de Michel Temer, do mesmo partido.
Pesquisa CUT/Vox Populi, divulgada no final do mês passado, apontou vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno com 58% dos votos válidos.
No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, as intenções de voto do ex-presidente aumentaram para 41% contra 39% registrado em maio.
De acordo com o levantamento, a soma de todos os outros adversários alcançou 29%. Na segunda posição está Jair Bolsonaro (PSL), com 12%, seguido por Ciro Gomes (PDT), que alcançou 5%; Marina Silva (Rede) caiu de 6% para 4%, empatando com Geraldo Alckmin (PSDB), que também registrou apenas 4%.
IMPEDIR LULA DE CONCORRER SERÁ UM TIRO NO PÉ

Com o quadro sucessório presidencial já praticamente definido, após a escolha dos vices no último fim de semana, as atenções se voltam agora para a questão Lula: será que a Justiça Eleitoral vai manter a farsa da sua condenação e impedi-lo de concorrer? Será que vão continuar essa encenação de julgamento justo? Será que vão insistir nesse falso pretexto de ficha suja, já que ele não cometeu nenhum crime? Se tal acontecer cairá de uma vez a máscara dos homens e mulheres de toga que posam de democratas. E ficará escancarado para o mundo o regime de exceção em que mergulharam o Brasil, onde a Constituição, que diz que todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido, perdeu a validade. Afinal, que diabo de democracia seria esta onde o povo não significa nada? Que diabo de democracia seria a nossa onde quem seleciona os candidatos a governantes são os juízes? Que diabo de democracia seria esta onde o maior líder popular do país e líder das pesquisas de intenção de votos é impedido de concorrer? É claro que isso só é possível num regime de exceção.
Até o próximo dia 15, quando se encerra o prazo legal para registro de candidaturas, a situação de Lula deverá ser definida. Segundo renomados juristas, nada impede que ele seja registrado e concorra ao pleito de outubro, até porque existem precedentes, mas quando se trata de Lula o procedimento da Justiça se altera, as decisões são tomadas antes do julgamento e vale tudo para ferrá-lo. Não é segredo para ninguém que há uma disposição, dentro do Judiciário, para banir o ex-presidente da vida pública, mesmo com todos conscientes da armação para atingir esse objetivo. Alguns magistrados não conseguem esconder o seu constrangimento, mas temem contrariar a corrente e serem linchados pela mídia, em especial pela Globo, a maior interessada na morte política do líder petista. Na verdade, será um tiro no pé, porque o substituto dele, caso se confirme o impedimento, fará exatamente o que ele faria se eleito fosse. Fernando Haddad, que terá a responsabilidade de substitui-lo na corrida sucessória, é o coordenador do seu programa de governo e, portanto, estará inteiramente à vontade para executá-lo.
Mais uma vez o ex-presidente demonstrou a sua capacidade como articulador político, mesmo de dentro da cadeia. Além de garantir o apoio do PCdoB, com a indicação de Manuella Dávila , para sua vice ou de Haddad, ele costurou acordos com outros partidos da esquerda, como o PCO e o PROS. A aliança com o PSB, tão criticada pelos admiradores de Ciro Gomes, foi positiva, embora tenha sacrificado a candidatura de Marilia Arraes em Pernambuco, porque objetivou um projeto muito maior, de nível nacional, que é a volta do PT ao Palácio do Planalto. Afinal, todos os políticos sabem que não se faz politica sem alianças que, às vezes, obrigam a perda dos anéis para que os dedos sejam preservados. Os que criticaram duramente o ex-presidente estavam mais interessados em eleger Ciro do que em garantir uma vitória da Esquerda com Lula. O PT, na verdade, não teve nenhuma responsabilidade pelo fracasso das negociações do ex-ministro, que pareceu meio perdido em busca de alianças até com os partidos do chamado Centrão, que o trocaram por Alkmin. Ele poderia estar numa situação privilegiada, hoje, se não tivesse cometido erros infantis e agredido gratuitamente Lula e o PT, perdendo talvez a sua maior oportunidade de ser eleito Presidente.
O fato é que toda essa trama para impedir Lula de voltar ao Planalto não deverá produzir o efeito que seus perseguidores imaginaram. Certamente vai criar mais dificuldades para a eleição do eventual substituto do ex-presidente que, provavelmente, não conseguirá transferir integralmente os seus votos, mas não vai impedi-lo de chegar ao segundo turno e à vitória. Antes de entregar-se à Policia Federal Lula disse que deixava de ser um homem para ser uma idéia. E será justamente essa idéia que dará entrada no Palácio do Planalto no dia primeiro de janeiro de 2019, para recuperar o Brasil dos graves danos causados pela desastrosa gestão do governo golpista de Temer. Na verdade, longe de destruir o líder petista, como pretendiam seus perseguidores, a sua prisão foi o seu melhor cabo eleitoral, contribuindo decisivamente para conscientizar o povo da sua condição de vítima dos donos do poder. E todos os seus algozes, a começar pelo juiz Sergio Moro, serão esquecidos pela História ou lembrados como traidores da Pátria. Talvez nem isso. Alguém se lembra do sujeito que matou Gandhi a tiros? Alguém se lembra dos juízes da Suprema Corte que impediram o Imperador Pedro II de permanecer no Brasil, após banido pelos autores do golpe que implantou a República? Alguém se recorda do nome dos juízes da Corte Suprema que autorizaram a entrega de Olga Benário para ser executada pelos nazistas?
O simples anuncio de Haddad como vice e provável substituto de Lula na corrida sucessória já lhe garantiu o segundo lugar nas pesquisas, atrás de Bolsonaro. No momento em que for ungido formalmente como candidato a Presidente, porém, no lugar de Lula, caso o ex-presidente seja mesmo impedido de concorrer, não há dúvida de que ele dará um salto nas pesquisas, sobretudo quando começar a aparecer nas entrevistas e debates. E Lula, mesmo da cadeia, com todas as restrições impostas pelos magistrados, influenciará o processo eleitoral, carreando seus votos para Hddad. E aí? Com que cara ficarão Moro, os desembargadores do TRF-4 e os ministros do STF e do STJ que, acovardados diante da Globo, lhe negaram a liberdade? Esta semana deverá ser marcada por intensa movimentação nos círculos do Judiciário, particularmente no TSE e no STF, para uma tomada de decisão que pode fazer de Lula a grande vítima da Justiça brasileira. E garantir a eleição da sua idéia, representada por Haddad, já no primeiro turno.
O CANDIDATO É LULA E O MÉRITO DE HADDAD SERÁ O DE SER FIEL A ELE
Por Fernando Brito, do Tijolaço – Exercício difícil para alguém com a origem e a formação intelectual de Fernando Haddad, cria da USP e da paulicéia cosmopolita, a chave de seu crescimento eleitoral é afirmar que, enquanto não se restaurar a prerrogativa de Lula ser candidato a presidente e, eleito como seria, presidente de direito do Brasil é , repito, afirmar que ele é o representante do Lula que é o candidato de fato e será o presidente de fato.
Ainda que por seu intermédio, enquanto não o puder ser plenamente.
Por isso, é bom que esteja vacinado contra os “muy amigos” que pretenderão que se lhe destaquem as qualidades intelectuais, os programas de governo, as opiniões pessoais e, mesmo, as experiências ilusórias de sua gestão na Prefeitura de São Paulo.
Todo este conjunto é de coisas reais, mas ínfimas perto da missão que lhe foi confiada.
Note como tentam provocar sua vaidade e seu ego chamando-o de “poste” – não vejo em que alguém que foi eleito prefeito de uma megalópole como São Paulo ou foi bem-sucedido Ministro da Educação do Brasil seria um “poste” – para que, como o pássaro da fábula, abra o bico para cantar e solte o queijo diante da raposa esperta.
E como condenam, com expressões como “caudilhismo”, “sebastianismo” e “autoritarismo” que Lula resista a seu calvário e siga firme em seu dever, por ele dispensando até a evidente barganha de o soltarem, caso desista de ser candidato e traia seu povo.
O povo brasileiro quer Lula na presidência e só por isso pode fazer de Fernando Haddad o seu candidato, por maioria.
Este é o seu trunfo, este é o seu orgulho, este é o seu maior valor diante de todos: ser alguém que, para que o povo brasileiro possa expressar sua vontade, aceite despir-se de seu ego e não seja um homem, com virtudes e fraquezas, mas uma ideia: a ideia de Lula.
Fora disso, aí sim é – para usar a expressão da moda – viagem lisérgica. É tentar fazer com que ele “brinque de Ciro”, tentando uma pleonástica afirmação de que “eu sou eu”.
O candidato é Lula e o mérito de Haddad será o de ser fiel ao ex-presidente como o povo brasileiro está sendo.
O resto é egotrip.
HADDAD É O REPRESENTANTE DE LULA
“Haddad está cumprindo um papel de ser o vice neste momento para vocalizar o ex-presidente no dia a dia da campanha, ele é um representante do Lula” -com esta afirmação, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, define o papel de Fernando Haddad na campanha eleitoral desde a noite de domingo, quando foi anunciada a coligação PT-PC do B-PROS-PCO. Ela falou nesta segunda, depois de visitar Lula na cadeia em Curitiba. O ex-presidente brincou, disse Gleisi: “Avise lá que o candidato sou eu, viu? O Haddad está em estágio probatório (risos)”.
Ela reafirmou que Manuela D’Ávila é a candidata a vice-presidente e que o ex-prefeito de São paulo e coordenador do programa de governo de Lula cumpre um papel provisório: “Haddad é um vice, mas temos um compromisso com o PCdoB de que, tão logo sejam resolvidas as questões judiciais que envolvem o ex-presidente, o PCdoB assume a vice.”
Segundo Gleisi, Lula ficou muito satisfeito com a composição final da chapa para as eleições. Ela assegurou que a mudança de última hora do TSE, exigindo que a definição dos candidatos a vice nas chapas na até o fim da noite do dia 5 (domingo) foi mais uma tentativa de ataque a Lula: “É mais um obstáculo que eles tentam colocar. Acho que eles vão colocando obstáculos para ver se a gente desiste. Mas nós somos teimosos.”
Leia aqui.
PT ESTÁ UNIDO E TEM PODER PARA SER O POLO DA ESQUERDA
O programa Boa Noite 247 desta segunda-feira (6) destacou a recém-composta chapa envolvendo os partidos PT, PCdoB, PROS e PCO. Neste fim de semana foi encaminhado que Fernando Haddad (PT-SP) será o vice de Lula, de forma transitória, em coligação com o PCdoB. Com a decisão, o ex-prefeito de São Paulo e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) podem compor uma chapa, caso Lula seja impedido juridicamente de prosseguir no pleito eleitoral.
O jornalista Paulo Moreira Leite considera que as articulações do fim de semana foram positivas. “O PT está unido e tem poder para ser o polo da esquerda na eleição, o ingresso do PCdoB na chapa é muito importante e a neutralidade do PSB também”, observa.
Já o jornalista Alex Solnik salienta que a chapa possui bastante potencial; “Uma pesquisa do XP/Ipesp divulgada na última seta-feira (3) revela que, quando Haddad é colocado na pesquisa como candidato de Lula, ele sobe de 2% para 12%, chegando ao segundo lugar da disputa, atrás de Bolsonaro”, avalia.
O XADREZ DA ESTRATÉGIA DE LULA PARA AS ELEIÇÕES
O jornalista Luis Nassif avalia que enquanto a direita corre para lançar vários candidatos apostando naquele que tiver a melhor performance durante a largada, contando com o apoio da Justiça e do Ministério Público para barrar possíveis adversários, a estratégia do PT tem que considerar diversos fatores internos e externos para consolidar uma candidatura viável.
“Basta se mencionar um candidato do PT, para o Ministério Público e a Polícia Federal sacarem do supermercado das delações premiadas uma delação qualquer, induzida ou espontânea, mas em geral apenas declaratória, para fuzilar o atrevimento”, ressalta.
Para ele, “a postergação da escolha, mais a prisão de Lula, afetaram as coligações”, “mas o acordo firmado com o PSB comprovou que a candidatura Lula não seria apenas simbólica. A popularidade avassaladora de Lula no Nordeste facilitou os acordos e o alinhamento dos governadores em torno de seu nome”.
Além disso, a escolha do ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad como o “ungido” para assumir a chapa no caso de impedimento de Lula de um ar de “modernidade” ao PT, mostrou-se acertada em função dos bons resultados apresentados por ele durante suas gestões. “Nas próximas semanas se terá uma ideia melhor da estratégia Lula e do fator Haddad”, diz.
Leia a íntegra da análise no GGN.
Da redação do BLOG do Emanoel Cordeiro/Blog do Zé Carlos Borges